quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Don't say a prayer for me now & I've gone alone

~1978~

                -Como assim vai deixar Jersey? – Jane perguntou com a voz falha pela surpresa, se levantou do colo de Johnny e se sentou novamente no banco do passageiro.
                -Eu preferiria conversar sobre isso amanhã, Jay.
                -Não John, vai me dizer isso agora.
                -O Tony recebeu uma proposta pra abrir o estúdio em NY podendo, assim, conseguir melhores contratos e eu poderei ficar mais perto ainda do meu sonho.
                Johnny estava sendo tão sincero que Jane não queria surtar na frente dele.
                -a gente termina de conversar amanhã – ela suspirou
                -você está bem? – ele perguntou erguendo o rosto dela com os dedos
                -sim. Mas amanhã a gente fala sobre isso – ela abriu a porta do carro e antes de sair Johnny a puxou pela mão e lhe deu mais um beijo e assim ela saiu fechando a porta.
                Jane entrou em casa tomando cuidado para não acordar os pais, chegando em seu quarto ela tirou o vestido e colocou a primeira roupa que achou para dormir, não se incomodou em tirar a maquiagem do rosto, apenas se deitou na cama e por alguns minutos ficou estática olhando para o teto. Ela sentiu como se tudo o que estava fazendo bem pra ela fosse sumir num passe de mágica. Johnny iria para Nova York, tudo bem que era o estado vizinho, mas mesmo assim não seria a mesma coisa. Nada seria igual já que ela não o veria mais todos os dias. O pensamento de não ver Johnny todos os dias fez com que ela sentisse um buraco no peito e então seus olhos se encheram de lágrimas. Ela não tinha muito tempo para nada e agora tinha menos tempo ainda. “Mas ele ainda nem falou quando o estúdio vai se mudar”, ela sorriu com o pensamento, talvez eles tivessem bastante tempo, quem sabia quanto tempo uma mudança poderia demorar?
                Mesmo tentando se animar, Jane não estava nada contente, ainda mais que na semana seguinte ela teria que viajar novamente para continuar fazendo os exames. Ela não aguentava mais aquilo, ela queria que achassem logo o tratamento ou que a deixassem em paz para aproveitar o quanto ainda restava-lhe de vida. Sem nem perceber, foi pegando no sono, talvez por ser mais de três da manhã, ela estava se sentindo mais cansada do que o habitual. Ainda pensando no assunto que Johnny começara, os sonhos da noite a perseguiram friamente, onde ela procurava por John e simplesmente não o encontrava.

                -Então, Johnny, como vai a sua mãe? – Minha mãe começou o assunto assim que John chegou para almoçar conosco e sentou à mesa.
                -está bem, Sra. Parker, aliás, ela mandou um beijo para a sra.
                -Muito gentil da parte dela, não se esqueça de mandar-lhe outro.
                -E como está o emprego? – o pai de Jane perguntou enquanto se servia de batatas.
                -está ótimo, senhor – ele sorriu fraco para Jane e ela encarou seu próprio prato de comida.
                O almoço seguiu calmo, os pais de Jane faziam algumas perguntas tentando não parecer invasivos e Jane tinha medo que em algum momento seus pais soltassem algo sobre sua condição. Depois de comer, os garotos se ofereceram para lavar a louça e os pais de Jane foram assistir TV. Assim que deixaram a cozinha limpa eles subiram para o quarto de Jane ouvindo apenas um “não vão aprontar” do pai de Jane.
                -você está calada – Johnny falou se jogando na cama dela e agarrando um dos ursinhos de pelúcia que ela tinha ali. – o que houve?
                -aquela conversa – ela falou se sentando na janela
                -não tem com o que se preocupar, meu amor – ele se sentou encarando-a firmemente – eu não vou embora agora...
                -mas vai uma hora – ela cruzou os braços e na mesma hora John riu
                -você tem noção que você está parecendo uma criança mimada? – ela fechou mais a cara e riu mais ainda – vem aqui – ele bateu na cama e ela foi contra gosto.
                -eu não quero que você vá – ela o abraçou pela cintura e ele afagou os cabelos dela.
                -eu não vou estar longe... E isso é só para o ano que vem, ainda temos alguns meses pela frente. Eu jamais te deixaria.
                -promete? – ela perguntou mesmo sem ter certeza do por que, ela não queria se sentir tão frágil, mas ela começou a aceitar que ela dependia dele, a força dela dependia dele.
                -claro que prometo – ele beijou o topo de sua cabeça e levantou o rosto dela para que assim eles pudessem se beijar como deveria ser. Ele a puxou para o seu colo e ela agarrou-lhe os cabelos puxando-o mais para si. O beijo era um tanto desesperado e ela estava amando aquilo, claro que ele também estava extasiado com aquilo.
                -hm, John – ela interrompeu o beijo por um instante achando que aquele seria o momento ideal – eu preciso dizer uma coisa...
                -o que? – ele os ajeitou na cama se encostando na cabeceira
                -eu vou precisar ir pra Nova York semana que vem – ela mordeu o lábio na intenção de parecer menos nervosa
                -o que você vai fazer lá?
                -bem, eu preciso ir num hospital fazer alguns exames para...
                -Jane – batidas na porta seguidas da voz da mãe de Jane cortaram a conversa.
                -o que? – ela gritou de volta
                -preciso falar com você, rapidinho
                -espera um pouco? – Jane sussurrou para John que assentiu com um sorriso breve

                -o que? – Jane perguntou assim que saiu do quarto e fechou a porta
                -seu pai precisa ir até a casa da sua avó. Eu não sei se posso te deixar aqui sozinha...
                -mãe! – Jane a repreendeu – agora estamos namorando.
                -mesmo assim, não quero saber que na nossa ausência vocês vão fazer essas coisas.
                -a gente faria isso em qualquer lugar – ela deu de ombros e sua mãe ficou espantada
                -posso confiar que quando voltarmos vocês estarão comportados lendo um livro de poesias?
                -talvez não poesia, mas pode confiar – Jane riu com a preocupação da mãe e também por estar tendo essa chance mesmo que sua mãe não estivesse tão confortável.

                -O que sua mãe queria? – John perguntou assim que Jane entrou no quarto novamente.
                -Só avisando que eles vão na casa da minha avó – ela sorriu sugestiva e ele entendeu o recado puxando-a para o colo imediatamente – calma, cowboy – ela riu – eles ainda não saíram.
                -oh, droga – ele resmungou e ela saiu do colo dele – mas o que era mesmo que você estava falando?
                -ah, nada demais. – ela encolheu os ombros e ele arqueou a sobrancelha – só preciso fazer uns exames.
                -mas não é a primeira vez que você vai... O que você não está me contando?
                -É complicado.
                -se você me explicar quem sabe eu entenda!
                Jane suspirou e por um momento sentiu que não teria como fugir dessa situação, ela levantou, andou pelo quarto, foi até a janela e abriu um pouco e depois virou-se para encarar John. Ele não falou nada, apenas esperou pela resposta. Antes que ela pudesse falar alguma coisa, os olhos dela se encheram se lágrimas e nesse instante John se levantou e foi até ela com um olhar preocupado
                -o que está acontecendo? – ele apertou o abraço nela e assim ela irrompeu em lágrimas. – Jane, pelo amor de Deus, me conta o que está acontecendo?
                -e-eu... Não posso – ela soluçou.
                -claro que pode – ele afagou os cabelos dela – eu estou aqui pra tudo o que você precisar, sempre foi assim e sempre será, meu amor.
                -eu não consigo, é grande... é mais forte que eu – ela apertou o rosto contra o peito de John e ele os conduziu para a cama onde eles se sentaram de frente um para o outro.
                -Jane, desde que éramos crianças nós contamos segredos um para o outro, eu te contei quando sem querer matei meu hamster, você me contou quando experimentou o cigarro pela primeira vez com seu primo e como tinha sido terrível... temos tantas histórias juntos que daria pra escrever um livro – ele tentou animar a namorada e ela sorriu fraco
                -eu sei, você é a pessoa mais importante pra mim – ela segurou novamente o choro e continuou – mas isso é uma coisa que implica muitas outras coisas... Eu não quero estragar nada.
                -Seja lá o que for, eu continuarei aqui... Me conta. Confia em mim
                -eu confio em você – ela suspirou e ele se manteve em silêncio – eu estou doente
                -doente como?
                -do tipo que não vai viver pra gente se casar e ter filhos.
                -o que você está falando? – John arregalou os olhos e ajeitou a postura – eu acho que não entendi
                -não me faça repetir isso – as lágrimas escorriam pela face dela – eu não posso.
                -Jay... me explica... eu realmente não estou entendendo.
                -minha gastrite piorou do que era e virou uma espécie de câncer... Por isso tenho ido tanto para Nova York fazer exames e no momento eles estão procurando algo que adie o inevitável.
                -você não pode estar falando sério – ele se levantou da cama passando a mão pelos cabelos enquanto balançava a cabeça negativamente – me diz que isso não é real
                -você acha que eu brincaria com algo tão sério? – ela continuava a chorar
                -claro que não – ele se ajoelhou na frente dela – mas eu não posso acreditar.
                -eu também não podia... Mas estou quase me acostumando com a ideia.
                -Não, Jay... Não. Eles vão achar uma cura, você vai ver e...
                -Johnny... – ela pegou o rosto do namorado com as mãos – era por isso que eu não queria te contar... Você iria ficar criando esperanças quando nem eu as tenho mais. Isso só piora as coisas.
                Ele não falou nada, apenas passou as costas das mãos nos olhos limpando as lágrimas que ali se depositaram, ele apoiou a cabeça no colo de Jane e ela afagou os cabelos dele, ela sentiu-se pior mesmo do que no dia que ela recebera essa mesma notícia. Talvez ter que contar para a pessoa que ela amava fosse bem mais difícil do que ouvir a notícia. Pelo menos ela ainda teve o benefício da dúvida, no segundo momento ela não podia mais negar os fatos. Johnny levantou-se e pegou as mãos de Jane fazendo com que ela se levantasse também, nada foi dito,ele apenas a abraçou e sentiu pequenas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Depois de alguns instantes abraçados John deitou Jane na cama e depois deitou-se com ela abraçando-a fortemente
                -Eu sei que você detesta quando tentam achar soluções para os seus problemas, mas eu preciso dizer isso, vamos juntos nessa.
                Jane realmente não gostava quando as pessoas tentavam encontrar soluções quando ela mesma não encontrava, mas dessa vez não questionou Johnny, dessa vez ela simplesmente deixou as palavras dele entrarem em seu coração a fim de servir de algum consolo.

~2012~

                 As semanas foram passando lentamente, Kate ia para a redação do jornal e voltava para casa e dormia. Essa era a rotina dela, Pam até tinha tentado tirar alguma informação dela, mas sem sucesso. Ela jamais iria admitir em voz alta que estava daquele jeito por causa de um homem, mesmo que aquele homem fosse Jon Bon Jovi. Ele não ligara mais, não mandara nenhuma carta, nenhum sinal de vida. Kate já estava até se acostumando com a ideia de nunca mais vê-lo. Era improvável que ele voltasse atrás depois do que acontecera na última vez que se viram.
                Já fazia quatro semanas que ela não falava mais com Jon e sua vida tinha voltado a ser monótona, Pam não parava de chamá-la pra sair e ela simplesmente não queria sair. Até que um dia ela já não aguentava mais ser incomodada pela amiga e então aceitou o convite para sair naquela sexta-feira. Pam tinha chamado alguns amigos, provavelmente ela iria levar Paul e não queria que Kate ficasse sozinha ou incomodada.
                Kate decidiu se arrumar um pouco melhor, acima de tudo, ela ainda tinha o orgulho dela. Eles iriam para um restaurante e depois iriam para uma balada terminar a noite. Colocando uma saia mullet, um top mais cumprido e um salto nada discreto, Kate finalizou o look com uma maquiagem leve mas bem feita. Ajeitou os fios ruivos prendendo a franja para trás e logo estava pronta. Não demorou muito e Pam avisou que já estava chegando. Kate pegou sua bolsa e fechou o apartamento assim que estava saindo.
                -uau – Pam exclamou assim que Kate entrou no carro – quer matar alguém hoje?
                -você, sua linda – Kate respondeu brincando e as duas riram – o Paul vai?
                -não... para de insistir que estamos juntos – Pam falou calmamente – foi só aquela vez.
                -então hoje é a nossa noite mensal dos caras gatos? – Kate sorriu maliciosamente sendo acompanhada por Pam.
                -com certeza. E eu te fiz o favor de chamar o Brian...
                -MENTIRA – Kate gritou fazendo com que Pam gargalhasse – eu te odeio!! Ele também escreve na parte de música do jornal! Como você o chama pra sair?
                -ué, por isso mesmo. Ele é um tesão, trabalha a duas baias de distância de você e você nunca o chamou pra sair.
                -é por isso mesmo! porque ele trabalha do MEU LADO!
                -ai, relaxa. Só chamei ele porque o Trevor me chamou pra sair, e mesmo ele sendo muito lindo e tudo mais, eu não queria ir sozinha e como você precisava sair e o Brian estava do meu lado na hora... tchan-ran.
                -Você não presta – Kate riu
                -eu sei que não – Pam riu – está melhor? Tem falado com o Jon?
                -não – ela suspirou
                -É por isso que você não tem nem respirado direito naquele jornal?
                -Pam, hoje é um dia que eu quero me divertir, por favor, não vamos falar disso.
                -Que seja feita a sua vontade – Pam bateu continência e elas riram enquanto seguiam pelas ruas de Nova York.
                Chegando ao restaurante elas foram para a mesa que tinham reservado e lá já estavam Brian e Trevor do jornal
                -olá meninos – Pam sorriu para os dois e por um instante Kate se sentiu um pouco intimidada por Brian. Eles trabalhavam praticamente lado a lado, mas nunca tinham conversado nada além das matérias que eles escreviam em parceria ou algo do tipo. Ele era alto, físico perfeito, braços cobertos por tatuagens e cabelos pretos espetados, era tipicamente gostoso e seu olhar foi deveras sugestivo no decote de Kate.
                -Como vão? – Trevor nos cumprimentou e Kate murmurou um “bem”
                -É um prazer vê-las – Brian comentou beijando levemente as costas da mão de Kate.
                Brian puxou a cadeira e ajeitou para que Kate pudesse se sentar e o mesmo fez Trevor para Pam. Eles chamaram o garçom e pediram uma garrafa de vinho para os quatro. A conversa fluía bem entre os três e Kate tentava não parecer distante, mas não queria conversar abertamente. O vinho chegou e eles começaram a beber, Kate não entendia muito de vinhos mas era muito parecido com o que tomara com Jon uma vez. Logo pediram os pratos que queriam e o jantar se seguiu.
                Depois de algum tempo eles pagaram a conta e foram para a tal balada que Pam queria ir. Era um lugar interessante com pessoas de classe alta. Não era uma dessas baladas de música irritante, era mais calma e tocava rock também. Eles pegaram uma mesa e pediram bebidas, logo as meninas foram dançar. Kate tentava a todo custo mexer os quadris da mesma forma que Pam, mas era impossível, ela tinha ótimos quadris mas nenhuma coordenação para dançar. Depois de algum tempo tentando ela foi se sentar com os meninos e pediu uma água, logo Pam voltou e anunciou
                -preciso fumar – ela falou mexendo na bolsa
                -eu te acompanho – Trevor falou e olhou para Brian que fez que ‘não’ com a cabeça.
                -você não quer ir? – Kate perguntou assim que Pam e Trevor saíram da mesa.
                -não... agora não – ele bebericou de sua garrafa de cerveja – você está muito bonita
                -obrigada – ela corou e bebeu sua água para disfarçar
                -uma pena eu nunca ter te chamado pra sair antes – ele mordeu o próprio lábio – perdi tempo, não foi?
                -não seja bobo – ela riu – não tem nada de especial aqui...
                -bom, você é excepcionalmente linda e pelo que eu leio da sua coluna, é muito inteligente também
                -se você diz – ela deu de ombros rindo – obrigada.
                -não posso me esquecer de agradecer a Pam por ter me chamado para vir... eu acho que...
                Kate sentiu seu estômago gelar. Não pelas palavras de Brian, mas por que acabara de ver Jon entrando na casa com algumas pessoas que ela não conhecia. Ele passou e não notou a presença de Kate ali, até por que ela estava no fundo e estava escuro. Mas claro que pra ela Jon era impossível de não reconhecer. Ela sentiu seu coração bater depressa e sua respiração ficar falha, suas mãos começaram a suar e ela sentiu Brian tocando sua mão.
                -tudo bem? – ele sorriu
                -Tudo, só... nada.
                -você ouviu o que eu disse?
                -o que? – ela fez cara de confusa – desculpa, acho que não ouvi
                -tudo bem – ele riu sem graça – eu perguntei se você quer ir dançar.
                Kate não era boa em dançar nem sozinha, quem diria com mais alguém. Mas algo fez com ela simplesmente balançasse afirmativamente a cabeça, talvez fosse a adrenalina de reencontrar Jon, talvez fosse a raiva voltando pela forma que ele a tratou, talvez fosse a vontade de provar a si mesma que ela era autossuficiente.
                Brian se levantou e estendeu a mão para Kate que pegou e eles seguiram para a pista de dança juntos. Estava tocando uma música com apenas batidas e ele apoiou as mãos no quadril de Kate virando-a de costas para ele. Ele começou a se mover e ela o seguiu, os movimentos dela eram praticamente guiados por Brian, ele apenas a tocava na cintura mas foi puxando seu corpo contra o dele. Quando a respiração dele bateu em seu pescoço ela sentiu criar borboletas em seu estômago.
                -eu quero te beijar desde aquele dia que você voltou da California, acho que foi aquele dia que eu olhei para você como mulher, não como minha colega de trabalho – ele sussurrou no ouvido dela – eu quero muito te beijar agora...
                -Brian – ela gemeu enquanto os movimentos dos dois foram ficando mais lentos
                -é só você deixar... – ele sussurrou mais baixo ainda e a virou de frente para si. Ela olhou para aqueles lábios estreitos e umedeceu os próprios lábios. No momento seguinte, Brian estava a beijando e ela estava deixando. Ele invadia toda a boca dela e ela estava perdida naquela sensação. Há tanto tempo não beijava ninguém... fazia quatro semanas que havia beijado Jon e... Jon... ela tentava não pensar nele durante o beijo, ela queria aproveitar o momento com Brian, mas então se lembrou que Jon estava a apenas poucos metros de distância. Se atreveu a abrir os olhos lentamente na esperança de não ver Jon por ali... Mas suas expectativas foram por água abaixo quando viu Jon no andar de cima da balada, ele não estava olhando pra ela, mas poderia ser que em algum momento ele notasse a presença dela.
                -hey – ela interrompeu o beijo apoiando as mãos no peito de Brian – a gente pode voltar pra mesa?
                -claro – ele passou a mão pelo rosto dela e eles voltaram para onde estavam antes. Pam e Trevor já estavam de volta e Pam olhou sugestivamente para os dois e apenas riu.
                -Kay – Pam a chamou – seu celular apitou aqui.
                Kate pegou o celular na bolsa e quase enfartou quando na tela de seu celular estava escrito
*nova mensagem – J.*
“Espero que esteja aproveitando a noite.”

                -está tudo bem? – Brian perguntou assim que Kate se sentou ao seu lado se sentindo sem chão. Ela não respondeu nada e olhou para trás. Lá estava Jon no camarote, olhando diretamente para ela.


--Fim do 13º Capítulo--




(Músicas do título respectivas de: Duran Duran & Avenged Sevenfold)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

I ain't too proud of all the struggles

~2012~

                Kate acordara bem disposta naquela manhã de sábado, já fazia alguns dias desde que ela e Jon se viram pela última vez, aliás, uma lembrança maravilhosa cuidava da mente dela... a viagem repentina pra Red Bank, a noite de amor com Jon... era um sonho, só podia ser.
                Ela se levantou preguiçosamente da cama, vestiu um peignoir, fez sua higiene matinal e foi fazer seu café.

*nova mensagem*

                “Bom dia, Srta. Porter, espero que esteja tudo bem contigo. Estou ansioso para hoje a noite. Mesmo plano de sempre, Hilton – 1023. te espero, beijos. Francis.”
                Kate sorriu ao ler a mensagem e respondeu
                “Bom dia, Sr. Bongiovi, está tudo bem comigo, espero o mesmo de você. Estou ansiosa também. nos vemos. Um beijo. Kate”
Continuou a fazer seu café. Depois de tomado, Kate se sentou em seu computador e ali ficou até a noite cair fazendo algumas revisões, pausando apenas para ir ao banheiro, beber água e comer. Logo terminou seu trabalho e foi se arrumar, percebeu que em uma semana não havia se depilado, não queria nenhuma possível surpresa pra mais tarde, então decidiu se depilar.
                Depois de toda uma higiene, dos pés a cabeça, se sentia pronta. Escolheu uma lingerie preta rendada e um vestidinho de alças também preto, soltinho e uma sapatilha vermelha. Estava cansada de usar salto depois de uma semana inteira andando para cima e para baixo de saltos. Para completar, uma maquiagem leve, apenas para realçar o que já é belo, aproveitou para passar um perfume amadeirado, aquele mesmo que ela usara na primeira vez que encontrou Jon, nunca se cansava daquela fragrância. Pronto, ela estava excepcionalmente simples e bonita.
                Pegou a jaqueta de Jon que estava pendurada num cabide e colocou com cuidado no braço antes inalando mais um pouco daquele cheiro inebriante de Jon Bon Jovi. Saiu do apartamento trancando o mesmo, preferiu ir de carro. Foi dirigindo tranquilamente, marcara com ele às 21h, e estava praticamente adiantada. Chegando lá, deixou o carro no estacionamento do hotel e foi até a recepção. o mesmo ritual de sempre se repetiu, enquanto o recepcionista avisava a Jon que ela estava lá, seu coração pulava descompassado em seu peito, se sentia uma adolescente boba. Assim que sua entrada foi permitida, caminhou até o elevador e assim que chegou ao andar, fez uma pequena caminhada até a porta 1023. Ainda com o coração pulando desgovernadamente.
                -olá! – Jon falou com um sorriso perfeito no rosto quando abriu a logo após Kate bater duas vezes. – entra.
                -oi – ela falou com um sorriso grande também e entrou.
                -não via a hora de te ver – ele falou puxando-a pela cintura. Antes que Kate pudesse responder algo, ele começou a beija-la, pedindo licença para que a língua pudesse participar, logo Kate concedeu e o beijo se aprofundou ficando mais exigente. Jon descia suas mãos pelas costas de Kate e subia lentamente fazendo com que ela arfasse com o toque experiente dele até que sua mão foi descendo mais e Kate cortou o beijo rapidamente.
                -hey, calma – ela falou sorrindo ternamente – sua jaqueta – ela completou esticando o braço pra ele
                -oh... claro – ele respondeu como se nem tivesse percebido a presença de sua jaqueta ali – era só por isso que você veio?
                -bom... tecnicamente... – ela respondeu em tom provocativo
                -oh Katerine, por que faz isso se não consegue mentir? – ele falou trazendo seu rosto para bem perto do dele, logo voltou a beija-la com vontade e depois parou – uma pena que ainda temos que jantar...
                -não precisamos jantar... – ela falou mordendo seu próprio lábio
                -vejo que alguém aqui já perdeu toda a timidez... estou gostando... mas vamos comer sim, estou morrendo de fome.
                -tudo bem – ela falou encolhendo os ombros.
                Kate deixou que Jon fizesse o pedido para eles, ele pediu risoto de camarão e um vinho doce para acompanhar, enquanto o pedido não chegava, ele e Kate conversavam animadamente sobre como tinha sido a semana de ambos, Kate percebeu que Jon não parecia cansado, nem tenso como das ultimas vezes
                -você parece bem – ela comentou assim que ele parou para pegar um cigarro
                -ah é? – ele falou acendendo e tragando o pequeno vício – me explique o porquê dessa observação.
                -ah... as vezes você parece cansado e hoje está tão enérgico! – ela falou sorrindo
                -Já disse uma vez, você faz com que eu me sinta como um adolescente novamente. – ele falou soltando a fumaça para o alto – você tem sito a melhor coisa...
                -ah Jon... – Kate comentou encabulada com a forma que Jon falava com ela
                Kate sustentou o olhar de Jon que passeava por seu corpo todo enquanto tomava lentamente a água de uma garrafa. Logo a batida na porta interrompeu aquele momento ora constrangedor, ora sensual. Era a comida que acabara de chegar. Kate se deu conta que estava com fome, como passara o dia revisando seus trabalhos do jornal, comera apenas algumas frutas durante o dia.
                Assim que se sentaram para comer na mesa que tinha no quarto, continuaram a conversar, comer e beber.
                -recebi uma proposta de um emprego novo – ela comentou casualmente
                -emprego novo? onde?
                -uma revista de música. Parece que eles se interessaram muito pela minha coluna
                -e você vai aceitar? – Jon perguntou servindo-os de mais vinho
                -provavelmente não. Sonho em entrar na Rolling Stone, então por enquanto eu continuarei no meu jornal. – ela falou tomando um gole do vinho.
                -Seria grandioso se você entrasse na RS. Eu poderia te indicar, conheço algumas pessoas de lá...
                -melhor não, Jon. Como explicar a sua relação comigo pra você estar me indicando – ela falou e logo se deu conta que tocou num ponto nunca tocado antes: relação. o que era a relação dos dois? eles tinham algo?
                -É. você tem razão – ele respondeu parecendo distante.
                -desculpe – ela falou fazendo Jon levantar o olhar para ela
                -por que está se desculpando?
                -acho que falei demais... – ela falou encarando os olhos muito azuis de Jon.
                -não falou, está tudo bem – ele forçou um sorriso – vamos terminar de comer?
                -claro – ela sorriu sem jeito.
Terminaram o jantar e seguiram pra sala, Jon se acomodou no sofá e puxou Kate para se sentar ao lado dele. Ligou a TV num canal de esportes, apesar de Kate não gostar de nenhum esporte, não se importou em ficar vendo resultados do futebol.
                -por que está tão calada? – Jon falou enquanto passava os dedos no braço de Kate.
                -nada, só aproveitando o momento.
                -hmm.. então tudo bem – ele falou voltando a atenção para a televisão. Começou a caminhar com a mão pelo braço dela, depois descendo pela sua cintura, Kate sentiu todo o corpo arrepiar com aquele simples toque. Assim que desceu mais a mão, encontrou a barra do vestido dela e foi levantando-o aos poucos.
                -o futebol não está mais tão interessante? – ela perguntou provocando-o
                -por que prestar atenção nesse bando de homens quando se tem uma mulher linda e sensual ao meu lado com um vestido muito fácil de ser tirado?
                -então tire... – ela falou piscando
                -já que me permite – ele falou puxando-a para cima de seu colo e começando a passar suas mãos grandes pelo corpo de Kate – sua pele é tão delicada – ele comentou distribuindo beijos pelo pescoço e colo dela. – eu amo tanto quando você está aqui... – Enquanto ele a beijava avidamente provocando seu pescoço, Kate já estava se deixando levar pelas mãos hábeis de Jon quando ouviu o celular começar a tocar, e não era o dela.
-droga – ele falou enquanto se afastava de Kate – tenho que atender.
-tudo bem – ela respondeu ajeitando seu vestido para baixo cobrindo as pernas e Jon atendeu o celular se afastando.
“O que está acontecendo?” – ele falava bravo assustando Kate pela sua repentina mudança de humor – “Isso não é motivo! ... por que ele não me liga e resolve isso comigo? ... certo, estou indo”
-preciso ir embora
-oh, claro... está tudo bem? – ela perguntou colocando seus sapatos.
-apenas problemas pessoais – ele passava a mão nos cabelos a fim de tentar não demonstrar sua raiva
-se precisar conversar...
-eu cuido dos meus problemas Katerine – seu modo rude de responder assustou Kate deixando-a sem onde apoiar-se. Ela sentiu-se indignada; “como ele pode estar me tratando assim depois do que quase fizemos?” – Vamos logo, te deixo em casa.
-não precisa – ela falou com a boca amargando – espero que você resolva seus problemas – ela cuspiu as palavras com raiva pela atitude dele
-Katerine – ele começou mas ela já havia pegado sua bolsa e já estava abrindo a porta. Ela fechou a mesma e saiu exasperada caminhando rapidamente com passos duros até o elevador. Jon não foi atrás dela e ela agradeceu mentalmente por aquilo. Ela sentia raiva pela rejeição e magoada pelo jeito com que ele falou com ela. O elevador chegou e ela se apoiou na parede tentando segurar o choro, ela não deixou as lágrimas caírem, ela queria ser forte, queria simplesmente esquecer o olhar frio de Jon; “descontrolado, será que ele não sabe que eu não tenho culpa de nada?” Ela pensou amargamente.
Ela correu para o seu carro, no conforto da solidão de seu veículo, seguiu para casa. Seu celular tocou e ela viu no visor do carro quem a chamava e ela apenas ignorou a chamada de Jon.
Chegando em casa, tirou a roupa e correu para o chuveiro. Debaixo da água morna, molhando seus cabelos cor de cobre, ela finalmente se deixou chorar, nunca havia se sentido daquela forma, tão magoada e rejeitada. Ela não esperava que Jon pudesse a tratar daquela maneira tão rude. Sua maquiagem já estava toda escorrida pelo rosto. terminou o banho, tirou o resto da maquiagem, vestiu seu peignoir e se deitou em sua cama molhando o travesseiro com seus cabelos molhados. Desde a ligação a caminho de casa, seu celular não voltou a tocar. Ela sentiu seu coração pesar, Jon não insistiu mais em tentar falar com ela. Eles nunca mais se veriam?
Kate despertou no dia seguinte sem nem se lembrar como havia adormecido, não tinha vontade de levantar da cama, olhou no visor de seu celular e não tinha nenhuma ligação nem mensagem; “claro, sua boba. Esperava que ele viesse com um buquê de tulipas e um pedido de desculpas?”. Ainda deitada, encarou o teto e decidiu que não ia esperar mais nada. Levantou-se, tomou banho e vestiu uma roupa de ginástica e foi correr. O dia estava bonito e as ruas não muito cheias para um domingo. O som de Misfits em seu Ipod deixava-a agitada e com mais vontade de correr.
Depois de quase duas horas, ela se viu com as mãos apoiadas nos joelhos no meio do Central Park, decidiu que já estava bem, há tempos não fazia aquilo. Antes de ir para casa, passou numa IHOP, comprou algumas panquecas e um café e foi para casa. Chegando lá, tomou seu banho e depois se deliciou com o café da manhã que mais gostava.
Aproveitando que não tinha nada pra fazer, ela decidiu organizar seus livros, CDs, DVDs e vinis. Sua diarista limpava todo o apartamento uma vez por semana, mas em seus “bebês” ela não mexia.Colocou um disco do Black Sabbath enquanto arrumava os outros, eram muitos. Seu coração se apertou quando pegou o vinil preferido. Um self-titled do Bon Jovi de 1984. Ganhara aquele disco quando de seu pai quando tinha 12 anos, naquela época aquele disco já era raro e mesmo o CD estando em alta, ela sempre fora uma amante dos “bolachões”  e aquele foi o primeiro, logo os pais dela perceberam que ela estava ficando fanática pela banda.
Ela amava aquele encarte, Jon com seus cabelos rebeldes parado no meio da rua. Ela amava aquela foto, tirou o disco do encarte e colocou no lugar do disco do Black Sabbath que estava tocando. Colocou a agulha numa faixa aleatória e “Love Lies” começou a ecoar pelo apartamento. Ela já não conseguia segurar as lágrimas, o que ela esperava de Jon? que ele a tornasse sua confidente? Que ele fosse dizer que a amava? Não, Jon já tinha sua esposa e ela sempre soube daquilo. No fundo ela sabia que se envolver com ele poderia ser perigoso para os seus sentimentos, mas ela quis se arriscar. Pelo jeito que ele a tratou na noite anterior, ficou claro que ele não estava envolvido emocionalmente com ela. Ela ficou se martirizando com as músicas que tocavam no rádio imaginando como teria sido conhecê-lo naquela época.


~1978~


                Havia se passado uma semana desde que Johnny pedira Jane em namoro, ele a buscava em casa todos os dias para irem à escola. Jane não tivera nenhuma crise da gastrite nem outras coisas, estava se sentindo muito bem. John era cuidadoso com ela e ela finalmente se seita amada. Dorothea não tinha ido à escola por três dias e quando voltou não dirigiu seu olhar para o casal.
-Consegui uma apresentação num bar para amanhã a noite – Johnny comentou enquanto levava Jane para casa depois da aula de sexta-feira.
-Jura? Que maravilha, Jon! – Jane falou animada
-É, e esse é melhor do que o último que eu fiz, quero que você vá comigo dessa vez.
-Mas eu não posso, sabe que eu não tenho idade.
-Nem eu, mas lá pode Vamos? – Ele implorou fazendo cara de filhotinho.
-vou ver o que eu posso fazer, meus pais vão surtar.
-diz que você vai ficar lá em casa, te levo embora até as duas da manhã.
-ok, ok – ela disse se rendendo enquanto ele parava o carro na frente da casa dela – vou falar com a minha mãe. Quer almoçar aqui?
-Infelizmente vou ter que trabalhar pra poder pegar folga amanhã.
-hm, ok – ela respondeu fazendo beicinho
-Hey, amanhã vai ser ótimo, prometo – ele falou dando um beijo demorado nela. – Acho melhor você ir, antes que eu desista de tudo e perca o controle com você.
-ok, já vou – ela riu abrindo a porta do carro – mas estou doida pra você perder o controle comigo – ela deu um selinho rápido nele que sorriu e saiu do carro.

— No dia seguinte—

                -Mas aonde vocês vão? – a mãe de Jane perguntou enquanto a filha se arrumava para sair com John.
                -ah vamos sair com um pessoal, nada demais. Eu volto!
                -Você tem que se cuidar, filha...
                -Eu sei, mãe... Eu só quero me divertir.
                -Tudo bem, querida. Mas semana que vem vamos para Nova York de novo.
                -Não quero mais fazer exames. – Jane falou com pesar já se desanimando enquanto se maquiava
                -É preciso. Bom, vou deixar você terminar de se arrumar.
                Assim que a mãe saiu do quarto, Jane se sentou na cama se sentindo desolada, não queria mais fazer aqueles exames que tanto a deixavam fraca. E como iria contar a John? Ela não queria que ele soubesse de sua condição por um tempo, sentia-se envergonhada. Ela se olhou no espelho e finalmente se sentiu bonita. Sorriu e calçou seus sapatos altos; “vou aproveitar enquanto puder” ela pensou. Ajeitou os babados de seu vestido, as ombreiras e ouvia a buzina do carro de Johnny, se despediu de sua mãe e foi ao encontro de seu... namorado.
-Você está linda – ele falou encantado enquanto ela se ajeitava no carro
                -você também, espero que não tenha muitas assanhadas naquele lugar.
                -ciúmes? – ele perguntou divertido
                -não – ela fez bico – só cuidando.
                -agradeço por isso, quero você na frente do palco pra eu cuidar de você também.

                Rindo, os dois seguiram para o bar onde Johnny iria se apresentar. O bar não era muito pequeno e tinha boas mesas e era um espaço bem bacana. Logo John foi para o backstage se arrumar e Jane ficou sentada numa mesa bem na frente do palco. Pouco tempo depois o lugar começou a encher. Pouco antes do show começar, Jane foi para o bar pegar uma cerveja, por mais que aquilo pudesse fazer muito mal à ela, ela queria sentir o amargo daquele líquido maravilhoso. Chegando no balcão, pediu sua cerveja e esperou.
                -tudo bem? – um rapaz de cabelos na altura do queixo e um queixo muito bonito se aproximou dela, como ela não estava acostumada com homens de bar, ela apenas sussurrou um ‘sim’ – hey, eu não mordo. É que eu vi você chegar com o rapaz que vai tocar essa noite, estou certo?
                -é... certo – ela respondeu mesmo não estando entendendo muito bem onde o rapaz queria chegar.
                -você o conhece?
                -Ele é meu namorado – ela enfatizou bem a última palavra e ele riu
                -você pode falar pra ele que depois do show eu gostaria de falar com ele?
                -e quem é você?
                -Só diz que o Springsteen quer falar com ele, estarei aqui no fundo.
                -claro – ela respondeu ainda confusa e saiu dali pegando sua cerveja e voltando para a mesa, logo o show começou. John estava no palco com sua guitarra e sua banda de apoio, ele estava ótimo e Jane estava orgulhosa dele. Então no meio do repertório apareceu a música que John escreveu e cantou para ela em uma das vezes que brigaram, ela estava particularmente emocionada.
                Depois do show, John logo desceu para dar um beijo na namorada que estava muito empolgada com tudo. Ele abraçou-a pela cintura e a rodou seguido de um beijo profundo.
                -o que achou do show?
                -Foi lindo! Você estava maravilhoso! – ela sorriu e ele a beijou novamente – ah, um rapaz chamado Springsteen disse que queria falar com você.
                -O Bruce está aqui? – John exclamou animado – vamos lá
                -Quem é Bruce?
                -Você não lembra que eu te falei dele? As músicas dele estão sendo o maior sucesso! – ele falou puxando-a pelo bar para encontrar Bruce. Jane estava tão fechada nos dois mundos dela que ela não estava mais sabendo o que estava acontecendo com o resto do mundo. Para ela só havia duas realidades, uma era a que ela estava doente e estava procurando um tratamento, a outra era Johnny. John era tudo o que mantinha Jane em pé, firme para continuar. Mesmo ele ainda não sabendo da doença dela, ele dava forças pra ela continuar.
                -John, meu garoto! – Springsteen falou dando um abraço em John – é um prazer ver você tocando.
                -E eu fiquei muito feliz que você tenha vindo! – John falou animado – você já conheceu minha namorada?
                -sim, ela foi muito simpática comigo – ele riu
                -eu sou, sempre – ela forçou um sorriso. Ela não tinha gostado muito daquele rapaz, ele tinha o sorriso que encantaria qualquer mulher de qualquer idade, mas como ela mesma já tinha definido: seu mundo era somente John.
                -então, querem sair pra comer ou qualquer coisa? – Bruce falou e John olhou para Jane que sorriu fraco
                -Acho melhor não – John respondeu triste – a Jane precisa ir pra casa.
                -tudo bem... Mas John, precisamos conversar qualquer dia.
                -pode me ligar, a gente marca – John respondeu e eles se despediram.

                O caminho para a casa de Jane foi animado, ela fazia comentários do show e John ficava muito contente em ouvi-los. Ele parou o carro na frente da casa dela e a puxou para seu colo rapidamente e começaram a se beijar.
                -Quer subir? – Jane perguntou ainda nos lábios dele.
                -E seus pais?
                -Você acha que eles estão acordados? – ela perguntou irônica
                -Não... Mas o que eu quero fazer com você poderia acordá-los
                -Johnny – ela bateu no peito dele rindo.
                -desculpa – ele riu – mas eu não posso. Preciso ir pra casa e pela manhã eu passo aqui... precisamos conversar
                -Sobre o que? – ela perguntou receosa.
                -Nada grave. – ele passou os dedos nos cabelos dela colocando-os atrás da orelha – nós só precisamos acertar algumas coisas.
                -Johnny... me fala o que é! – ela insistiu e ele bufou
                -O estúdio do Tony vai se mudar pra Nova York – ele suspirou
                -E o que isso implica? – ela perguntou com medo da resposta ser a que ela estava esperando

                -eu precisarei me mudar. Deixarei Jersey.


--Fim do capítulo 12--

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Capítulo 11 - Faith.

~1978~

                -hm.. baby – Johnny falou saindo de trás de Jane – o que você tá fazendo aqui?
                -responde minha pergunta primeiro – Dorothea falou começando a ficar brava.
                -não tá acontecendo nada aqui, baby
                -então o que Jane estava fazendo no meio das suas pernas? – ela perguntou apontando para Jane que ainda estava no sofá paralisada.
                -a gente tava conversando... – Johnny respondeu
                -aninhados? – ela falou parecendo mais irritada.
                -não é isso... olha...
                -Quer saber, – Jane falou se levantando e cortando Johnny – a gente tava conversando, Dot, de verdade... eu to mal, ele só quis me confortar um pouco...
                -é, baby, Jane é minha amiga de longa data, o que pode haver de mal nisso?
                -olha... eu vou indo – Jane falou pegando a bolsa e saindo da casa de Johnny fechando a porta atrás de si, ela ouviu Johnny a chamar mas nem olhou pra trás, saiu antes de ver as próximas reações de Dorothea.

                Jane caminhou sem pressa pra casa, era pouco depois das 19h ainda. No caminho de casa, não era muito distante, ela se encontrou com uns amigos do colégio que estavam reunidos numa lanchonete e ficou conversando pra enrolar o tempo que ela supostamente estaria revendo as atividades da escola perdidas na semana que ela esteve em NY. Depois de conversar um pouco, ela foi pra casa, seus pais estavam assistindo TV e ela passou direto pro quarto, tomou um banho e ficou sentada na janela olhando pra imensidão do céu escuro daquela noite, nenhuma nuvem, apenas a lua e as estrelas. Era um cenário muito bonito, uma lágrima escorreu dos olhos dela quando ela pensou que quase contara para Johnny o que estava acontecendo com ela, ela não sabia de onde tinha vindo a coragem pra contar, mas agora não teria mais volta... ele com certeza a iria procurar pra esclarecer as coisas. Mas... e o que será que aconteceu entre ele e Dorothea depois que ela saiu de lá?

—POV Johnny—
               
                -Jane! – Johnny chamou assim que Jane fechou a porta.
                -vai atrás dela ou vai me explicar que merda é essa que tá acontecendo???
                -Dot, sério, não aconteceu nada, poxa!
                -John, duas pessoas não ficam do jeito que vocês dois estavam “por nada”.
                -você me viu a beijando, ou algo a mais? – Johnny perguntou chegando mais perto de Dorothea, a mesma olhou brevemente para baixo então ele continuou – a única coisa que eu já te pedi foi pra não ter ciúme da Janet, ela é minha amiga desde que éramos crianças.
                -eu sei, John, mas você tinha falado que estaria ocupado essa noite, eu tive que vir trazer esse livro pra sua mãe, pensei que você não estivesse em casa, aí chego e vejo isso.
                -eu estava ocupado. eu gosto muito da Jane, e não é por que estou namorando com você, que eu não posso mais dar atenção à ela.
                -eu nunca te privei de vê-la, mas as vezes acho vocês próximos demais... até parece que têm algo a mais
                -e se tivéssemos?
                -COMO ASSIM? – ela falou alterada
                -Jane é muito especial pra mim, em muitos aspectos.
                -eu sabia que você não conseguiria segurar seu instinto de “galã” por muito tempo... mas justo com a Jane? a última pessoa que eu poderia desconfiar...
                -Dot... vamos dar um tempo? preciso espairecer, não to conseguindo pensar direito. – Dorothea encarou incrédula para Johnny, não querendo aceitar o que ele dizia. mas com certeza ele estava confuso, ela decidiu dar a ele um tempo mesmo. com lágrimas nos olhos, ela saiu da casa dele.

—Fim do POV Johnny—

--no dia seguinte

                Jane acordou um pouco mais tarde naquele domingo, escovou os dentes, prendeu o cabelo e desceu para a cozinha, sua mãe estava fazendo panquecas e Jane não resistiu e logo pegou um prato e se juntou aos pais. Era um momento como há tempos não se via, os três juntos tomando café da manhã no domingo.
                -que bom que você está comendo, querida – o pai de Jane falou
                -mamãe apelou fazendo panquecas – Jane falou sorrindo e a mãe sorriu junto.
                -amanhã eu deixo você no colégio, Jane – a mãe falou
                -por que?
                -vou levar seu pai até o aeroporto na mesma hora que você sai.
                -ok.

Eles continuaram a tomar o café da manhã, depois Jane lavou a louça e foi para a varanda da sala e ficou sentada no banco que lá tinha. Passaram-se alguns minutos e sua mãe se sentou ao lado dela.

-você está bem, filha?
-to sim – Jane sorriu fraco – só com um pouco de dor.
-quando você começar o tratamento, vai melhorar logo – a mãe falou sorrindo e depois continuou – preciso de contar uma coisa...
-o que foi? – Jane perguntou prestando total atenção na mãe
-sei que não é o momento propício pra nada agora... – ela começou – mas é preciso que eu te conte logo.
-mãe.. fala logo, to ficando nervosa
-bem... v-você ... vai ter um irmãozinho.
-O QUE? COMO ASSIM? – Jane falou descompassada.
-calma, Jane, aconteceu!
-ah eu não acredito! como pôde? justo agora quando eu mais preciso de você!
-eu não estou te abandonando ou te trocando!
Jane se levantou ao mesmo tempo que as lágrimas começaram a cair dos olhos dela, a mãe ia se levantar quando Jane fez sinal para ela não a seguir, e subiu as escadas correndo até seu quarto e o trancou.

                isso não tá acontecendo comigo... não pode ser... UM SUBSTITUTO!! é isso... não tem outra explicação...

                Jane não conseguia conter as lágrimas, depois de muito resistir, ela deixou as lágrimas escorrerem pelo rosto, “seria possível mais alguma coisa dar errado na minha vida?” ela logo repudiou o pensamento, talvez se fosse mais negativa do que já estava, poderia SIM mais coisas darem errado na vida dela. antes que ela pudesse pensar em mais alguma coisa, ouviu alguém bater na porta dela.

                -Vai embora! – ela gritou
                -Janet, abra aqui, por favor – a voz do pai de Jane soou meio abafada pela porta.
                Jane se levantou, enxugou as lágrimas das bochechas e abriu a porta logo se voltando a se deitar na cama.
                -Lizzie – o pai a chamou pelo apelido carinhoso que lhe dera na infância por causa de seu nome do meio – podemos conversar? – ele perguntou se sentando ao lado dela na cama
                -não quero – ela falou com o rosto enfiado no travesseiro
                -mas precisamos... olha aqui – ele falou afagando os cabelos dela – estamos passando por uma fase terrível... sim, todos estamos, quando algo ruim acontece aos filhos, os pais sentem a dor duas vezes maior – Jane se sentou de frente para o pai, o mesmo pegou as mãos da filha com as dele. – o que você provavelmente não compreendeu é que eu e sua mãe não planejamos isso... uma gravidez agora realmente só complica as coisas.. mas você sabe como há anos vínhamos nos preparando pra isso, e os recentes acontecimentos fizeram com que nós simplesmente nos esquecêssemos disso... mas aconteceu...
                -e por que deixaram acontecer?? dava pra “cancelar” se quisessem!
                -você sabe como eu sou contra o aborto e não sou um homem contraditório
                -era tudo o que eu precisava... um substituto!!
                -Não fale assim, Janet!! – o pai de Jane se levantou da cama se segurando para não perder o controle pela dor que aquelas palavras lhe causaram.
                -me.... me desculpe... eu só não quero aceitar que outra pessoa nessa casa vai receber atenção além de mim... eu... não tenho forças pra suportar isso sozinha... – Jane falou e voltou a chorar em seu travesseiro
                -ninguém aqui vai tomar o seu lugar, eu e sua mãe amamos você incondicionalmente e especialmente nessa fase, precisamos, todos nós, de mais esperança! – ele falou enquanto Jane se virava lentamente – sei que eu não sou o pai mais presente nem o mais atencioso do mundo... mas você sabe que eu estou sempre do seu lado e se eu estou sempre viajando, é porque estou sempre buscando coisas melhores pra gente.

                O pai de Jane ficou a olhando por algum tempo enquanto ela parava de chorar aos poucos

                -sua mãe te ama muito, e vocês sempre foram tão amigas... me surpreendeu você ter saído daquele jeito quando ela tentou conversar com você. – ele afagou os cabelos da filha – por favor, ela está muito abalada com tudo, ela está se dedicando 100% a você nos últimos dias,ela já não vai mais trabalhar pra poder ficar mais com você, e receber essa gravidez não foi fácil... por favor, tente compreende-la.
                -tudo bem, pai... – Jane falou com mais simpatia, porém sem conseguir esboçar um sorriso.
                -agora eu acho você precisa de um tempo só pra você – ele falou com um olhar brincalhão de incerteza – há tempos não conversamos assim, querida, não percebi o quão crescida você está – ele sorriu bobo.
                -pai...
                -é sério... deve ser por isso que o filho dos Bongiovi vive atrás de você mesmo depois de “grandinho”... hm... to de olho nele hein – ele falou fingindo estar bravo, então riu, o que fez Jane rir junto...
                John... ele não tinha ligado pra ela ainda depois da visita inesperada de Dorothea na noite seguinte... que resultado pode ter dado da conversa dos dois?


—POV Johnny—

                Já era de manhã, mais precisamente meio dia, logo lembrou-se que Jane tinha saído antes de resolverem a situação, ela provavelmente estaria esperando algum contato dele. “melhor ligar pra ela”

                -Jay? – Johnny perguntou depois que Jane atendeu o telefone.            
                -hey Johnny – ela respondeu não conseguindo disfarçar a voz embargada pelo choro de alguns minutos atrás.
                -você tá bem? – ele perguntou percebendo que a voz dela não estava normal.
                -tá.. tudo bem sim.
                -não acredito.
                -pare de me cutucar, me fala logo... o que você e a Dorothea resolveram ontem?
                -tudo resolvido.
                -fiquei com receio de que a situação se agravasse ou sei lá o que
                -eu sei que você não tá com essa voz estranha por causa do que aconteceu ontem... vamos, me diz o que tá havendo... você tem estado muito estranha há algum tempo, Janet.
                -é com a minha mãe... ela tá grávida.
                -a sua mãe??? caramba, que legal... espera... você não achou isso muito legal não é?
                -é , Johnny... eu não achei legal. – ela confirmou o que ele disse bufando em seguida – não que ter um irmão seja uma coisa ruim... mas na atual conjuntura.. é.
                -já percebi que é mais complexo do que eu posso compreender. o que você deixou escapar de mim que está deixando tudo tão confuso?
                -era sobre isso que eu ia falar com você ontem...
                -isso o que?
                -o que eu “deixei escapar”
                -vamos nos ver. eu ia ver os caras pra ensaiar, mas to vendo que isso aqui é mais importante.
                -não, John, não quero atrapalhar seus compromissos...
                -fica quieta, Jane, vamos nos encontrar naquela sorveteria que a gente sempre vai?
                -por mim tudo bem, que horas?
                -as 15h. tenho que resolver umas coisas antes de ir.
                -tudo bem, nos vemos.
                -aham.

E desligaram.

—Fim do POV Johnny—

                Sair com Johnny seria uma tarefa difícil “bem feito, Janet, não tem uma amiga pra poder encobrir seu encontro com Johnny, agora dê sua cara aos tapas” isso era fato, Jane não tinha uma do que se pode chamar “melhor amiga”, ela não era do tipo de que tinha muitos amigos, tinha Melanie, mas eram apenas colegas de classe. Seus amigos eram na maioria meninos, os amigos de Johnny e seus colegas de classe. nada muito íntimo.
                “nerd”

                -Jay – sua mãe apareceu na porta tirando-a de seus devaneios – posso entrar?
                -claro.. – Jane respondeu abaixando a guarda
                -você está bem, querida?
                -to sim.. só... confusa – ela respondeu com sinceridade.
                -há algo que eu possa fazer pra esclarecer sua “confusão?”
                -não... – Jane parou, “é o momento perfeito pra pedir pra sair”, realmente – na verdade... eu poderia ir até a sorveteria?
                -claro, querida... quer que eu vá junto?
                -não... um.. pessoal da escola vai, eu só preciso ir me encontrar com eles.
                -pode ir. tem dinheiro? – ela perguntou com um sorriso terno. Jane não conseguia mais estar chatear com a mãe, ela era a pessoa que mais a apoiava acima de tudo... então sorriu junto, abraçando a mãe.
                -desculpa – ela falou quando a mãe, pega de surpresa, retribuiu o abraço.


Depois do almoço, Jane foi se arrumar para ver Johnny, desde que descobriu que estava doente, ela não saiu muito de casa, em contrapartida não se arrumava muito. Já era visível que ela havia emagrecido muito. Ela não gostou do que viu no espelho, ela gostava do corpo que tinha, tinha tudo em proporções certa pra uma menina de dezesseis,  mas agora estava se sentindo magra demais, suas pernas mais finas e os seios diminuíram também. Estava mais pálida também.

                -querida? – a mãe entrou no quarto, Jane estava se olhando no grande espelho do quarto, tinha vestido uma calça e uma camisa regata, estava um calor razoável...
                -entra mãe – ela falou indo em direção ao guarda-roupa e pegando uma camisa de mangas.
                -está calor, por que não fica de regata?
                -não quero... não to me sentindo bem.
                -você é linda, querida.
                -não. essa não sou eu – Jane falou encarando a face deveras branca no espelho
                -você está se deixando abater, por isso não consegue mais se ver... vamos, pare com isso. termine de se arrumar e vá ver seus amigos – a mãe deu um grande sorriso.
                -obrigada, mãe – Jane sorriu fraco e pegou sua maquiagem, passou algo pra cobrir as olheiras, um rouge e um batom de leve apenas para dar um pouco de cor ao rosto. Estava bem, se sentiu um pouco melhor, mas não conseguiu tirar a camisa de mangas, ainda não era hora.
               
--15h → Sorveteria

                -heey – Johnny cumprimentou Jane assim que ela chegou – pontual como sempre – completou sorrindo.
                -obrigada... não vai me chamar de maníaca por controle, metódica, nem nada do tipo? – Jane falou em tom de deboche.
                -eu tento ser legal... mas você gosta de ter o meu pior, não é Liiiizziiiiie? – ele rebateu debochando dela também.
                -vai se catar – ela falou rindo e os dois ficaram rindo um do outro
                -senta aí, vou pedir nosso sorvete – ele falou e logo fez o pedido, pediu o preferido de Jane: maracujá e chocolate.
                -bom, vamos te adoçar agora por que eu quero explicações. – ele falou quando os sorvetes chegaram
                -me “adoçar”, Johnny? ah faça-me o favor, né – Jane falou rindo começando a comer seu sorvete.
                -você tem andado estranha, o que você ia me contar ontem? – Johnny falou enquanto tomava o próprio sorvete.
                Jane ficou encarando a própria massa de sorvete sem falar nada, estava tudo muito confuso e complicado, se ela contasse agora sobre sua doença, talvez as coisas          piorassem. Decidiu enrolar mais um pouco para dar a notícia.
                -é minha gastrite... tem piorado – ela falou por fim fazendo John parar de comer e encara-la. no fundo era uma verdade.
                -você não tem tomado remédio?
                -tenho... mas acontece, as vezes.
                -me sinto meio responsável – ele falou encarando a rua atrás de Jane – sabe, você é sempre tão controlada, só come e bebe as coisas erradas quando eu te arrasto pros lugares comigo.
                -ai Johnny... para com isso – ela o repreendeu – não seja bobo. É normal isso se desregular de vez em quando. e outra, eu amo sair com você e comer besteiras e tomar cerveja.  Faz eu me sentir mais viva.
                -fico feliz por isso, Jan – ele falou acariciando o rosto dela com os dedos – era só isso? mas você tá se sentindo bem?
                -estou sim... só de vez em quando fica complicado – ela falou não encarando os olhos dele.
                -entendo... mas vai melhorar, você é uma das pessoas mais fortes que eu conheço – ele falou sorrindo – tenho um comunicado pra te fazer.
                -e o que seria?
                -preciso falar com os seus pais... fazer um pedido à eles
                -pedir o que para os meus pais?
                -é que eu queria namorar com a filha deles.
Jane ficou paralisada com o que Johnny acabara de dizer
                -desculpa, acho que não entendi
                -Janet Elizabeth Parker, quer ser minha namorada? – Johnny perguntou sendo mais formal e pegando em suas mãos fazendo-a ficar boquiaberta
                -mas... John... e a Dorothea?
                -eu não consigo viver longe de você, Jane, eu te amo mais que tudo... – ele falou agora selando os lábios de Jane com os dele.
                -Johnny... – ela falou cortando o beijo – não é justo...
                -com quem?
                -com a Dorothea... você… terminou com ela?
                -sim, ontem, depois que você saiu – ele falou sorrindo sem graça
                -me sinto culpada – ela falou por fim
                -sabe seu problema, Jane? é que você se culpa por tudo, acha que tudo é sua responsabilidade. pare de pensar tanto nos outros, pensa na sua própria felicidade. – ele falou animado – eu demorei muito pra perceber que é você quem eu amo, vamos ser felizes!
                -oh Johnny... você faz parecer tudo tão mais fácil! quero ver você convencer meus pais... – ela falou deixando a voz quase morrer na ultima parte da frase.
                -eu sei exatamente o que fazer. vamos? – ele falou se levantando da mesa e estendendo a mão para Jane que assentiu e segurou na mesma. Johnny pagou o que consumiram e saíram entrando no carro dele indo em direção a casa de Jane. o coração dela batia descompassado quando parou o carro em frente a sua casa.
                -Relaxa – ele falou por fim saindo do carro e abrindo a porta pra ela.
                -minha mãe vai me matar – Jane falou segurando firme na mão dele.
                -não vai, re-la-xa! – ele falou enfatizando que ela devia manter a calma

                Eles chegaram na varanda da casa e Jane abriu a porta, seus pais 

estavam sentados na sala assistindo TV, a mãe de Jane virou o rosto para a porta quando eles entraram, tinha uma expressão surpresa.

                -Jane? – ela perguntou espantada.
                -Sr. e Sra. Parker, gostaria de conversar com vocês, por favor – Johnny falou em tom discreto.
                -John... o que quer? – o pai de Jane perguntou se ajeitando no sofá, seu tom de voz era calmo, afinal, ele não sabia o que tinha acontecido, nem que a mãe de Jane a proibira de ver o Johnny
                -eu vim pedir o consentimento de vocês para que eu pudesse namorar com a Janet – ele falou
                -como?? – a mãe de Jane falou arregalando os olhos.
                -sim, Sra. Parker, gostaria da permissão de vocês para namorar Jane.
                -John, você não tinha uma namorada? – o pai de Jane falou
                -não mais, eu amo Jane, e não tem porquê namorar outra pessoa que não seja ela.
                -oh... – a mãe de Jane estava boquiaberta – não sei o que dizer...
                -bom, por mim tudo bem, conheço seus pais, sei que você é um rapaz de boa índole. – o pai de Jane falou sorrindo discreto
                -não sei se é uma boa ideia.. – a mãe de Jane interveio -  vocês podem estar sendo precipitados.
                -Sra. Parker, estamos preparados para assumir um compromisso, por favor, não nos prive dessa felicidade – Johnny falou com uma certa indireta nas entrelinhas e passou o braço pela cintura de Jane.
                -bom... – a mãe de Jane suspirou – não posso realmente priva-los disso.
                -jura, mãe? – Jane falou sorrindo de orelha a orelha. a mãe assentiu e Johnny puxou Jane para um abraço apertado
                -mas juízo vocês dois... estarei de olho! – o pai de Jane falou semicerrando os olhos.

                Mais alguns minutos de conversa com os pais de Jane e eles foram para o fundo do quintal e ficaram deitados na rede que ali tinha, John abraçava Jane e de uma forma carinhosa, passava os dedos por seu braço. Jane, que estava deitada em seu peito, alisava os pequenos pelos que saiam pela gola da camiseta.

                -estou tão feliz por seus pais terem entendido.. achei que sua mãe fosse falar alguma coisa...
                -eu também achei... mas que bom que ela entendeu – Jane falou sorrindo e Johnny a puxou pra um beijo longo e com direito a uma “voltinha” muito indiscreta das línguas.

                Jane estava extasiada com o momento, pediu á todas as entidades divinas que momentos com esse viessem a se repetir sempre, ter o calor de Johnny ali, mesmo de forma tão simples, era uma coisa que a fazia se sentir viva... Ela queria que aquilo durasse eternamente, mesmo que não durasse muito.




--fim do capítulo 11--